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Gilberto Brandão Marcon
on 07:42
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AMA-ME

Homem e mulher,
relações de cada um,
nem mesmo toda confiança,
não terá o seu dia de ciúmes.
Assim é que, mesmo livre,
vivo agradavelmente preso a ti,
companheiro de tua presença.
Pois teu corpo atrai
o meu corpo também,
mas teu magnetismo vai além,
pois tua alma evoca
o espírito em mim oculto.
Parte melhor de mim.
E sinto que também
disperto a ti em ambos planos.
Assim somos um do outro.
Agrada-me ser parte de ti,
sendo tua razão; e tu,
a dona de meu coração,
Sendo parcela da verdade integral
que tanto busco,
és o meu caminho, pois sou o teu.
Dás o sentido de tua beleza
à minha força, és a fecundidade
onde glorifico minha fertilidade.
Faço-te mulher,
pois de mim fizeste homem,
e antes da bênção humana,
abençoou-nos o Divino.
Sejamos resgatados juntos
de nossos pecados,
pois só contigo haverá
graça na promessa do Céu.
Água de mina pura a matar
a sede nos dias perdidos
neste deserto do cotidiano humano.
Anjo meu, musa de meus sonhos,
mulher que frutifica
o que há de mais elevado em mim.
E, então, não me culpes,
não me desculpes,
não se desculpes,
apenas, ama-me!
Gilberto Brandão Marcon
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DEIXA

Deixa pra lá.
Deixa estar.
Deixa.
Deixa por ti,
Deixa por mim.
Deixa aqui.
Faz de conta,
Talvez .
Amanhã ou depois.
Um encontro ao acaso.
Um destino, não sei.
Novamente um “talvez”.
Até quando não sei.
Deixa, não liga.
A indiferença.
Desencanto e tristeza.
Tristeza. Deixa pra lá.
Deixa estar.
Você por ai,
Eu já nem sei.
Desencontro e paixão.
Deixa.
Esquece de mim,
Que esqueço de ti.
Fica, então. Fico, talvez.
E dia virá...
O acaso, então.
Gilberto Brandão Marcon
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Gilberto Brandão Marcon
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OLHOS DE MULHER

Olhar feminino,
olhos de mulher,
feliz é o homem
que neles encontra consolo,
triste é o homem
que neles acha a angústia.
Virtuais e duros promotores,
acusadores de todas as culpas,
ferozes predadores
dos deslizes das paixões.
Libertadores dos carentes de afeto,
arquitetos dos sonhadores,
inspiradores dos poetas ocasionais.
Donos de umas tantas respostas,
mas terríveis criadores
de um maior número de interrogações.
Posseiros de poderosa magia,
convertendo maduros homens
em doces e meigos meninos.
Subjetivos aventureiros a desafiar
a organização da exaurida razão.
Força ou fragilidade?
Vitoriosos guerreiros
a conquistar os incautos
corações masculinos,
imaturos de emoções.
Inquestionáveis nas suas estranhas
e ocultas certezas,
depositários de uma verdade essencial.
Lumes capazes de espantar
as sombras da amargura,
com poder de roubar a alegria,
ou de trazer a graça
da sublime felicidade.
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Gilberto Brandão Marcon
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Gilberto Brandão Marcon
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Gilberto Brandão Marcon
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CORAÇÕES EM CHAMAS

Chama.
Inflama ardente fogo,
reclama vida.
Pulsa agitado o coração.
Insensatos sentimentos.
Crepita a chama
nos seus tons vermelhos.
Esconderijo do ego,
alcova de amor proibido.
O desencontro das bocas,
as mãos que não se acham.
Os olhares que fogem
ocultos em esquinas,
fingidos em indiferença,
torturados em pecados.
Flamejantes em dores
com ausências indesejadas.
No fluir dos hálitos,
na lembrança dos odores.
A inquietação no silêncio.
O prazer infeliz.
As palavras ocultas,
as sílabas não ditas.
A chama do fogo.
O ardente fogo
que tudo queima,
que faz cinzas
jogadas ao vento
que se vão... e vão,
perdidas que estão.
Gilberto Brandão Marcon
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Gilberto Brandão Marcon
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FLORES DA VIDA

Qual flor delicada que surgiu na primavera,
poderá resistir às frias brisas
da maturidade do outono?
Qual coração aquecido pelas chamas
das ardentes paixões,
aprenderá, um dia, a pulsar
pelo calor afetivo do suave amor?
Que exista este dia.
Que ele despreze o tempo dos calendários,
que ele comungue com a eternidade.
Que seja escrito na alma.
E então ele não será como pluma
a se perder no vento do destino.
Não será escravo do acaso,
mas terá vida própria e sua busca
será vínculo entre almas,
será aliança consolidada por um olhar.
E estes olhares haverão de se buscar,
depositários deste mistério.
Serão olhos depositários de lágrimas,
serão olhos de molduras de sorrisos.
Serão promessa de inquietação e paciência,
inspiração para a esperança.
E esta será a musa
que há de unir letras em sílabas
e estas em palavras
para, em pacto com o Criador,
organizarem-se no corpo do leve poema.
Gilberto Brandão Marcon
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Gilberto Brandão Marcon
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